Gestão em Minas: Iepha e Escola de Belas Artes firmam convênio para preservação do patrimônio cultural mineiro

Comunidades de Minas Gerais terão seu patrimônio restaurado com qualidade e sem custos

Izabel Chumbinho/Iepha-MG

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), representando a participação da Escola de Belas Artes da UFMG, firmaram um Termo de Cooperação Técnica e Científica com o objetivo de estabelecer uma agenda de trabalho conjunto entre as instituições, potencializando seus esforços em prol da preservação do patrimônio cultural mineiro.

Serão várias frentes de trabalho em cooperação. Uma delas prevê a disponibilização, pelo Iepha, de obras pertencentes ao patrimônio histórico e artístico mineiro a serem restauradas pelos professores e alunos do curso de graduação em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG. Assim, será possível atender a uma parcela maior da imensa demanda por restauração recebida todos os anos pelo Iepha, que não dispõe de recursos humanos ou financeiros para atendê-la.

A custo zero, as comunidades terão seu patrimônio restaurado com a qualidade garantida pela expertise do Cecor da UFMG, que é centro de referência em todo o país. Além da seleção das peças a serem restauradas, e de seu recolhimento e devolução junto à comunidade de origem, o Iepha se dedicará ao acompanhamento e fiscalização constante de todo trabalho junto a cada uma das obras. A gerente de Elementos Artísticos do Iepha, Ana Panisset, explica que esta frente de trabalho entrará como um “braço do Programa de Restauração de Acervos da instituição”, que este ano trabalhará outras 19 peças.

Ainda esta semana, 21 peças sacras serão encaminhadas ao Cecor para serem restauradas dentro do convênio. São 20 imagens e uma tarja de retábulo, vindos de igrejas de Sabará, Couto de Magalhães de Minas, Serro e de Conceição do Mato Dentro.

Segundo Ana Panisset, anualmente serão selecionadas de 15 a 20 obras, dependendo do tamanho das peças e do estado de conservação. Uma destas obras será recuperada como trabalho de conclusão de curso pela aluna Florence Costa, que é também estagiária no ateliê de restauração do Iepha.

Capacitação

Outra frente de trabalho conjunto viabilizada pelo termo de cooperação dará conta da capacitação do corpo técnico que atua na conservação-restauração do patrimônio mineiro, seja via entidades governamentais ou por empresas privadas. Estão previstos uma série de seminários, palestras, workshops e eventos diversos, envolvendo técnicos do Iepha, acadêmicos da UFMG e profissionais do mercado. Além disso, o convênio também prevê a oferta de oportunidades de estágio supervisionado no Iepha para os alunos da Belas Artes e o desenvolvimento de projetos de pesquisa e publicações em conjunto.

Também será montado um grupo de pesquisa que funcionará como uma comissão para discutir os parâmetros de conservação-restauração, baseado em referências internacionais, buscando unificar os procedimentos. Outra novidade será o lançamento de um laboratório móvel de análises científicas para o diagnóstico do patrimônio mineiro. Fruto de um esforço conjunto entre UFMG, Iepha, Iphan e Ministério Público Estadual, a unidade móvel percorrerá as mais diversas regiões de Minas avaliando o estado de conservação de bens culturais.

Ana Panisset explica, ainda, que o grande trunfo do convênio entre Iepha e UFMG é a “união de expertises das áreas envolvidas com o patrimônio”, unindo a esfera acadêmica e o campo de atuação prática. Para a gerente do ateliê de restauração do Iepha, a intenção principal desta cooperação é a mudança de paradigma em relação aos parâmetros de conservação, em prol de uma ação mais orientada por procedimentos críticos e científicos. “A motivação deste intercâmbio é exatamente trazermos o conhecimento e a pesquisa acadêmica para o âmbito da aplicação prática. Quem sai ganhando no final, claro, é o patrimônio mineiro”, destaca.

Restauração de acervos

Além das 21 obras que seguem para restauração no Cecor, por meio do convênio assinado entre o Iepha e a Escola de Belas Artes, outras 19 peças sacras também entram em restauro ainda este ano pelo Programa Restauração de Acervos, do Iepha.

A ação, que tem a proposta de recuperar bens de forte significado para as comunidades às quais pertencem, contou este ano com um novo critério para a escolha das peças. Como nos anos anteriores, foram priorizadas aquelas em pior estado de conservação, de acordo com o levantamento feito pelo Inventário do Patrimônio Cultural, mas a seleção, desta vez, exigia também que os bens fizessem parte de acervos protegidos pelo Programa Minas Para Sempre, o que representará a garantia de que, uma vez restauradas, as peças sacras voltarão para um local seguro.

Cinco imagens da Igreja Matriz de São José – localizada no distrito de São José das Três Ilhas, em Belmiro Braga – serão restauradas com verbas destinadas pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Difusos de Minas Gerais (Cedif) ao programa no valor de R$ 50 mil. São elas Nossa Senhora da Conceição, Santo Antônio, Santa Rita, e as imagens de São José e de Nossa Senhora que fazem parte do conjunto da Natividade do templo.

Outras 14 imagens de nove municípios serão recuperadas com investimento de R$ 350 mil proveniente do Programa Estadual Minas Patrimônio Vivo. Além da preservação material o Iepha pretende também incentivar e mobilizar as comunidades para um engajamento na conservação de seus acervos. De acordo com a gerente de Elementos Artísticos do Iepha, Ana Panisset, a duração dos trabalhos irá variar de peça para peça, dependendo do tamanho de cada uma delas e do estado de conservação.

Clique aqui e confira a lista completa de 40 peças contempladas pelo Programa de Restauração de Acervos 2012 (arquivo

PDF).

Fonte: http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/iepha-e-escola-de-belas-artes-firmam-convenio-para-preservacao-do-patrimonio-cultural-mineiro/

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