Lista de Janot: PSDB diz que vai radicalizar em defesa de Anastasia

“A abertura do inquérito servirá para demonstrar a verdade, pondo fim à infâmia inventada contra mim, sabe-se lá por qual motivo”, escreveu Anastasia.

Contra a inclusão na Lista de Janot

Fonte: O Globo 

PSDB vai radicalizar na defesa de Anastasia

Em nota divulgada ontem, Anastasia disse não conhecer, tampouco ter estado com Youssef ou Jayme. Foto: George Gianni

Em defesa de Anastasia, PSDB diz que vai radicalizar

Atuação na CPI será reforçada, dizem tucanos mineiros; senador nega envolvimento no caso

O PSDB mineiro disse estar disposto a “radicalizar” na atuação do partido na CPI que investiga o pagamento de propina na Petrobras como resposta à decisão do procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, de investigar o senador e ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia (PSDB-MG) na Operação Lava-Jato. Em depoimento à polícia, oex-policial Jayme Alves, mais conhecido como Careca, afirmou ter viajado em 2010 a Belo Horizonte para entregar R$ 1 milhão a uma pessoa que não teria reconhecido no momento. Depois, “vendo os resultados eleitorais”, ele teria identificado Anastasia, eleito governador naquele ano.

Careca não soube dizer qual seria o endereço da entrega, mas afirmou se tratar de uma “casa térrea, (…) com portão que abre na horizontal” e “uma grade na frente”, “voltada para o shopping”, numa referência ao Belvedere, bairro de classe alta de Belo Horizonte. Janot reconheceu a validade do depoimento do ex-policial, que teria entregue aproximadamente R$ 17 milhões entre 2011 e 2012 a diversas pessoas indicadas por Youssef, segundo contabilidade apreendida durante a Operação Lava-Jato. Anastasia nega ter recebido qualquer valor de Youssef.

— Vamos radicalizar na CPI, porque a melhor forma de defendê-lo é investigar a fundo. Estão tentando misturar Anastasia com um tipo de gente que assaltou a Petrobras e desencadeou o maior escândalo já visto neste país — disse ontem o deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG), para quem o acusador de Anastasia é uma pessoa “desqualificada, sem credibilidade e completamente desmoralizada”.

— Vamos provar a inocência dele com dois sopros — completou o tucano, que disse estar disposto a sugerir à CPI que o policial seja levado a Belo Horizonte para indicar a casa onde teria realizado o pagamento.

“A riqueza de detalhes apresentada por Jayme, somada ao reconhecimento pessoal do senador, apontam para a necessidade de aprofundamento das investigações”, argumentou Janot para pedir a continuidade das investigações. Segundo a contabilidade apreendida, duas entregas que totalizam valores próximos de R$ 1 milhão teriam sido realizadas emMinas: a primeira em 9 de maio, no total de R$ 600 mil, e a segunda em 13 de junho, no valor de R$ 270,4 mil. No documento, não é feita referência a ano das entregas.

Em nota divulgada ontem, Anastasia disse não conhecer, tampouco ter estado com Youssef ou Jayme, o policial que o acusa.

“A abertura do inquérito servirá para demonstrar a verdade, pondo fim à infâmia inventada contra mim, sabe-se lá por qual motivo”, escreveu o senador, que também divulgou vídeo em redes sociais classificando a acusação como “falsa e covarde”. “Tenho a consciência tranquila da prevalência da justiça e da verdade, inclusive com a descoberta da origem desta armação contra mim”, escreveu Anastasia.

O mineiro é um dos dois políticos de oposição na lista de parlamentares que serão investigados pelo STF por suposto envolvimento na rede de lavagem de dinheiro operada por Youssef. Foi o principal auxiliar do então governador Aécio Neves (PSDB), durante as duas gestões dele à frente do governo de Minas, onde teve atuação focada em questões de gestão e administração pública, sua especialidade. Em 2010, foi escolhido por Aécio para ser seu sucessor e venceu a eleição. Com perfil técnico, sempre teve pouco trato com a política partidária, mas emplacou amigos em órgãos públicos, caso de Ricardo Mendonça, que ganhou cargo no Conselho de Administração da Codemig, empresa estatal. Nos três pleitos que disputou, como candidato principal ou vice, recebeu R$ 4,6 milhões em doações oficiais de construtoras investigadas na Lava-Jato.

0 comments… add one

Leave a Comment