Minas: Anastasia fala da segurança nas manifestações

Governador Antonio Anastasia exalta ação da polícia para manter segurança e lamenta atos de vandalismo

Governo de Minas: segurança nas manifestações

Fonte: Agência Minas

Em entrevista à radio Itatiaia, Antonio Anastasia destacou, ainda, conduta ordeira de manifestantes pacíficos em Belo Horizonte nesta quarta-feira (26)

O governador de Minas, Antonio Anastasia, exaltou a ação da Polícia Militar durante as estratégias realizadas nesta quarta-feira (26) para garantir a segurança dos torcedores que foram ao Mineirão, para acompanhar o jogo entre Brasil e Uruguai, e também dos manifestantes que mantiveram conduta pacífica nos protestos realizados em Belo Horizonte.

Em entrevista concedida à rádio Itatiaia, o governador lamentou, ainda, os atos de vandalismo ocorridos na região da Pampulha. “Recebi, nesta terça-feira (25), lideranças dos manifestantes e fizemos um acordo que foi integralmente cumprido pelo Governo de Minas e por eles. Fizemos tudo conforme foi declarado, mas, lamentavelmente, 300 ou 500 pessoas, fizeram ataques violentos à polícia. Lamentavelmente, isso é muito triste”, analisou o governador.

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista concedida pelo governador Antonio Anastasia à rádio Itatiaia.

Estamos na ponta da linha com o governador de Minas, Antonio Augusto Anastasia. Governador, boa noite.

Boa noite, João Vitor. Boa noite, Eduardo. Boa noite ouvintes da Rádio Itatiaia. Na verdade, nós devemos lamentar os episódios de hoje. Se me permite, eu queria fazer aqui uma lembrança. Eu recebi, ontem à noite (25), lideranças dos manifestantes, no Palácio da Liberdade, fizemos um acordo que foi integralmente cumprido pelo Governo e por eles. Fizemos tudo conforme foi declarado, mas, lamentavelmente, um grupo expressivo de 300, 500, não sei quantos, eles fizeram ataques violentos à polícia. Lamentavelmente, nós vimos o que aconteceu. Agora, isso é muito triste. Nós temos que identificar quem são essas pessoas. Já fizemos várias prisões. Porque uma coisa é a manifestação pacífica como foi dito, perfeitamente democrática, necessária para a pessoa manifestar sua indignação. Outra coisa são as cenas de barbárie que nós assistimos nesta tarde em Belo Horizonte.

A Polícia Militar cumpriu bem seu papel de proteger a área restrita do Mineirão. Só que depois, quando elas começaram incendiar e saquear, houve muita gente ligando para Itatiaia e reclamando dizendo que a polícia precisava ser mais ativa. Falávamos por telefone com o comandante da PM, que dizia o seguinte, “nós temos condições sim de ir, o problema é o estrago que podemos fazer em intervir”, ou seja, quem viu pela TV, quem ouviu a narração pelo rádio daquelas lojas queimando, sendo saqueadas, sem que a polícia chegasse. O senhor compreende que o fato de a polícia ir poderia resultar em consequências impensáveis?

É verdade. Porque ali nós tínhamos um grupo, como eu falei, de 300 ou menos do que isso, fazendo vandalismo e fazendo atos, praticamente atentando contra o patrimônio particular, mas nós tínhamos uma multidão, tinham algumas mil pessoas assistindo, muito próximas. Se houvesse uma ação efetiva naquele momento da polícia militar para coibir aquela ação, nós teríamos pânico naquela multidão e, certamente, nós poderíamos ter mais desdobramentos negativos que já tivemos. Então, a polícia agiu com cautela. A polícia resolveu dar prioridade e foi correta ao manifestante pacífico, que estava li também assistindo, ainda que não estivesse realizando o vandalismo. Então, de fato, foi uma posição correta da nossa Polícia Militar para proteger a vida e, é claro, como nós conversamos ontem na reunião que tive, dar garantia ao manifestante pacífico. Mas, terminado e dissolvido esta manifestação, com a manifestação voltando ao centro da capital, a polícia agiu e realizou várias prisões, apagou o foco de incêndio e, agora, continua agindo na cidade para identificar quem são esses baderneiros, essas pessoas criminosas, que realizaram aquilo que nós assistimos pela televisão.

Governador, existe alguma informação por parte do setor de inteligência da Polícia Militar de onde está sendo planejado, de onde está vindo isso, porque esse tipo de ação, ela não é por acaso. Isso não acontece por acaso. Não cai do céu. O cara não fala assim, eu vou lá, vou jogar bola de sinuca, pedra, pedaço de ferro, pedaço de pau na polícia, bola de gude, saquear loja. Isso não acontece por acaso. Isso é uma ação premeditada, planejada e orquestrada. Como algumas pessoas já foram presas no último protesto e outras foram presas hoje, já existe alguma informação por parte do setor de inteligência da Polícia de onde está brotando este tipo de ação?

Este é nosso intuito de ter nossa descoberta, João Vitor, porque, de fato, é fundamental nós identificarmos, vermos qual foi o motivo, propósito e realizarmos a punição dessas pessoas. A Polícia Civil está agindo em articulação com a Polícia Militar neste trabalho. Já tivemos prisões nessa semana. Hoje pela manhã, a Polícia Civil já apresentou pessoas que tinham ramificações nacionais de organizações que prestigiam a violência, isso é muito grande. São ramificações nacionais. Com as prisões de hoje, certamente, nós vamos apurar mais ainda. Mas eu tive uma notícia, por exemplo, porque a essa altura chegam as notícias ainda um pouco desencontradas, que o incêndio na concessionária Kia foi colocado por dois menores, dois adolescentes, que filmaram a ação, inclusive, quase como se fosse um misto de vandalismo e de exibicionismo, vamos dizer assim. E eles foram presos. Eles estão presos com a prova do crime, é o que foi me foi passado pelo comando da polícia. Então, tudo isso vai ser apurado agora. Nós vamos concentrar de maneira vigorosa, com a determinação firme minha, do secretário de Defesa Social, para apuração e a punição exemplar dessas pessoas que cometeram esses atos, inclusive, maculando a manifestação pacífica e ordeira, que foi da esmagadora maioria, que, inclusive, passaram ao largo, conforme foi combinado ontem. Passaram ao largo da Abrahão Caram, do perímetro, e seguiram até à Lagoa, pela Santa Rosa, manifestando de maneira pacífica e normal.

Apenas para confirmar as informações que o senhor acabou de trazer aí.  A nossa repórter Laura Resende esteve lá no CIA (Centro de Internação de Adolescentes) conversando com os dois adolescentes que disseram que viram pela internet movimentações que estavam sendo feitas em todo o Brasil e, por essa razão, decidiram se juntar ao grupo de maiores de idade para provocar aquele vandalismo que nós vimos na Avenida Antônio Carlos. Portanto, eles confirmaram que aprenderam pela internet e resolveram se juntar a esse grupo.

É inacreditável. É então exatamente isso que nós temos de saber de onde está vindo isso, quem está ensinando isso pela internet e quem está fomentando esse tipo de violência. Porque a internet, a rede social, quando promove as manifestações, promove manifestações ordeiras para apresentação em defesa de direitos e isso nós todos aplaudimos. Não podemos ter, agora, a internet usada para aprender a fazer armas e outro tipo de agressão a pessoas e ao patrimônio.

Governador, eu tenho uma preocupação muito grande nos últimos dias é com a questão da Polícia Militar e a importância da Polícia Militar. Não é possível se construir um país com ordem sem a polícia e sem a força da polícia e sem uma polícia qualificada e tenho dito nos últimos programas aqui na rádio Itatiaia o seguinte: que o manifestante hoje ele tem uma arma na mão que se chama telefone celular. Ele pode pegar esse telefone e filmar, ajudar a identificar qualquer ato de excesso de algum policial para que esse ato seja investigado e algum eventual mau policial que se exceder ou abusar, que ele seja denunciado e que ele seja julgado. Mas, nós precisamos que a população ajude o bom policial e prestigie o bom policial porque não é possível, o policial tomar pedrada, tomar paulada, tomar bola de sinuca e tomar bola de gude que esse policial desmoralizado, amanhã, ele não consegue combater o tráfico de drogas, o crime organizado, assalto a banco. Nós precisamos ter uma polícia forte e moralizada.

Você está corretíssimo, João Vitor, e nós temos, felizmente, em Minas Gerais uma polícia altamente profissional, altamente respeitada. E eu tenho falado com o Ministro da Justiça ao longo desses dias e hoje eu devo ter falado por telefone pelo menos dez ou doze vezes e estendo os elogios para nossa Polícia Militar, que age de maneira extremamente exemplar e, de fato, a polícia está atuando nos seus limites, ou seja, ela reage, ela é pacífica, mas ela não pode ser passiva, ela não pode de receber as pedradas, receber rojões, receber bombas caseiras, que têm até pregos dentro, e não reagir. Então, de fato, nós precisamos que a ordem pública seja garantida e isso é responsabilidade do poder público e através da nossa Polícia Militar, que é orgulho dos mineiros.

Governador, eu poderia fazer aqui umas 1.500 perguntas para o senhor, mas de minha parte é a última. Eu estou preocupado com um outro foco dessas manifestações. De ontem pra cá, governador, o Supremo Tribunal mandou prender os deputados, o Senado aprovou que crime de corrupção é crime hediondo, a Câmara derrubou a PEC 37, a Câmara Municipal de Belo Horizonte reuniu-se no feriado extraordinariamente e aprovou a redução do preço da passagem. Então, assim, as coisas estão acontecendo, mesmo o Governo do Estado está com uma série de medidas inéditas para diminuir o sofrimento daquela gente com transporte. Governador, o senhor espera e tem sinais claros de Brasília, que vamos nos mexer, que o governo, em seus três níveis, vai ficar mais atento, se antecipar para poder, o governo, como um todo, sentiu que a manifestação é grande, governador, e que é preciso mudar?

Eu acho que sim, Eduardo. Eu tenho a impressão que essas manifestações no Brasil, que estão acontecendo, pela sua dimensão, pela sua natureza, pelo seu perfil, são manifestações diferentes do que aquelas que tivemos ao longo da nossa história. Que elas demonstraram ao mundo político, não só ao mundo político, às autoridades, ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, ao Parlamento, aos poderes executivos, e à sociedade também, aos empresários, a responsabilidade que nós todos temos de ter para trabalhar ainda mais e agilizar, tirar a poeira de temas como esse que estão, há anos, parados. Então, eu acho que isso calou fundo e tenho certeza que todos aqueles que têm responsabilidade, que têm boa fé, que são pessoas de caráter no Brasil, estão preocupados e perceberam mais que o recado, o grito das ruas do Brasil a favor de uma mudança mais rápida.

Governador, apenas para informação, aconteceu agora invasão de Banco do Brasil, na Avenida Antônio Carlos, e levaram cinco armas. A PM esta atrás, acabei de falar com coronel Sant’Ana e ele confirmou a informação dizendo que um homem acaba de ser preso armado na Avenida Antônio Carlos, não se sabe se ele teve participação na invasão na agência do Banco do Brasil, mas o certo é que homens armados teriam invadido a agência e levado cinco armas.

Percebe-se, de fato,  que uma pessoa que faz isso só tem um nome do qual podemos chamá-lo: bandido. Quem entra em agência bancária para roubar dinheiro ou roubar armas, e está armado, evidentemente que é um bandido e deve ser tratado como tal pela força pública e levado à Justiça para sua condenação. E é exatamente este trabalho que a Polícia Militar está fazendo agora. Por isso é sempre o nosso pedido para que as pessoas de bem, a esmagadora maioria, se afastarem desses bandidos, desses vândalos, que estão cometendo esses atos, porque a Policia tem o dever de prendê-los.

Governador, para nós, pelo menos, a Copa já acabou em Belo Horizonte. Agora, se as manifestações serão ou não interrompidas, isso é uma decisão do povo. De toda forma, governador, nos últimos dias, estamos tendo uma epidemia, fecha-se uma rodovia por 10 horas, a outra por 12, a outra por 5 e fecha aqui, outra acolá, qualquer coisa é motivo para fechamento. Tudo com uma razão justa, Só que quem fica parado sofre mais. O Senhor já pensou, o senhor tem alguma orientação para a Defesa Social, para a Polícia Militar, como será o comportamento nosso daqui em diante em relação às manifestações?

As rodovias são federais ou estaduais. Nas rodovias federais, quando são impedidas, caberá à Polícia Rodoviária Federal fazer a negociação. Claro que o Governo do Estado sempre estará ao lado porque muitas reivindicações podem ser em relação à Prefeitura, ao Governo do Estado e ao Governo Federal. Então, a nossa responsabilidade estará lá, junto com a PRF e eventualmente com suporte da Polícia Militar. Nós demos a orientação de evitar os conflitos, tentar o diálogo, a explicação. Abrir as avenidas, abrir pautas de negociação dessas reivindicações que, como você mesmo diz, muitas vezes são justas. Eu acho que as pessoas vão perceber que fechar uma rodovia, é claro que é uma forma de manifestação. Mas o prejuízo causado por isso a outras pessoas que não têm vinculação com o tema é muito forte. Neste momento, isso ocorre no Brasil inteiro. Eu acho que em breve esta percepção vai chegar e as pessoas vão perceber que o caminho do diálogo e de uma manifestação mais objetiva será mais útil.

Para encerrar, uma das cidades com maiores índices de dificuldade na Grande BH é a cidade de Ribeirão das Neves, com problemas muito sérios no transporte público. O senhor delegou durante essa semana, quando o senhor estava em Brasília com a presidente Dilma, o senhor delegou ao vice-governador que fosse feito um grupo de trabalho para discutir questões da melhoria do transporte público de Neves e o senhor também determinou o reinício da duplicação da rodovia em Ribeirão das Neves nessa semana.

É verdade, tivemos em Ribeirão das Neves várias reivindicações que são procedentes. É bom dizer que hoje no Brasil se percebe que o transporte coletivo, urbano ou metropolitano, está em condições muito ruins pelo Brasil afora. Temos que fazer este aprimoramento. As empresas já perceberam isso e Ribeirão das Neves é um exemplo de como temos que melhorar e melhorar rápido. Ao mesmo tempo, conseguimos superar uma última questão burocrática que havia, no caso da duplicação da avenida em Ribeirão das Neves, que era a retirada de alguns postes da Cemig, e isso já está sendo feito, e nós devemos inaugurar essa obra o mais breve possível, porque é uma região importante, é uma das cidades mais populosas da RMBH. E onde estamos levando, também, investimentos importantes, para gerar mais empregos para aqueles que lá moram, como a primeira fábrica de semicondutores do Brasil, que é a SIX Semicondutores, que está sendo instalada em Ribeirão das Neves.

Governador, muito obrigado pela gentileza de atender a Itatiaia neste momento tão conturbado em Belo  Horizonte.

Eu que agradeço. Muito obrigado. Queria acrescer aos nossos ouvintes, que são tantos mineiros e brasileiros da Rádio Itatiaia, para a necessidade da serenidade neste momento, e de apoiar a Policia Militar em sua ação de coibir este vandalismo. Hoje, assistimos este espetáculo que foi triste, pelos ataques, por outro lado, assistimos um belo espetáculo, que foi a manifestação pacífica de milhares de mineiros que seguiram pela Antônio Carlos até a Lagoa, e também vimos a realização em perfeita ordem de um grande espetáculo de futebol com mais de 60 mil pessoas no Mineirão, em perfeita condição e com a vitória do Brasil. Estamos avançando e precisamos, agora, ter mais ordem para funcionar ainda melhor. Eu que agradeço a oportunidade. Boa noite a todos.

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