Indústria só deverá ser recuperar em 2018

indústria mineira deve registrar alta somente em 2015. Com queda de 8,25%, Zona da Mata teve o pior resultado regional do Estado.

 A indústria mineiraNo primeiro semestre, o faturamento da indústria do Estado caiu 6,64%. Foto: Divulgação / Fiemg

A indústria mineiraNo primeiro semestre, o faturamento da indústria do Estado caiu 6,64%. Foto: Divulgação / Fiemg

Fonte: O Tempo

Recuperação da indústria só deverá acontecer em 2018

Com queda de 8,25% no faturamento, Zona da Mata teve o pior resultado regional do Estado

ANA PAULA PEDROSA

A indústria mineira, – que amargou quedas em todos os indicadores no primeiro semestre – deve continuar sofrendo nos próximos anos. “A perspectiva de retomada de crescimento consistente é apenas a partir de 2018”, diz o professor de economia da Fumec, Fernando de Melo Nogueira. Ele se refere à retomada de índices de crescimento acima de 3,5%.

No primeiro semestre, o faturamento da indústria do Estado caiu 6,64% e o resultado ruim atingiu praticamente todas as regiões do Estado. De acordo com os indicadores regionalizados da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), apenas o Triângulo teve alta no faturamento, de 3,34% no período. O resultado foi fruto da venda de adubos e defensivos agrícolas Em contrapartida, foi a região que mais perdeu empregos, com queda de 7,76% de janeiro a junho.

Já regiões onde o forte é o setor metal-mecânico, como Zona da Mata e Sul, foram as que mais perderam em faturamento, com quedas de 8,52% e 1,68%, respectivamente. No Sul, o presidente da Fiemg regional, Ary Novaes, diz que a retração foi causada pela queda na demanda por autopeças. “O mercado está muito ruim. O segundo semestre vai repetir o primeiro”, afirma.

Para a Fiemg, a indústria mineira como um todo deve registrar alta de apenas 0,7% na produção em 2015. O professor Nogueira diz que a crise não está limitada a um setor e é fruto de muitos fatores. “Desde 2010, temos a sinalização clara de que o que nos beneficiou já não nos beneficia”, afirma. Ele se refere a fatores como crédito facilitado, inflação sob controle e juros mais baixos, que formaram um cenário favorável nos últimos anos.

Crédito. Nem mesmo as medidas para facilitar o crédito, anunciadas na semana passada, devem devolver o otimismo à economia. “O brasileiro já está muito endividado”, justifica Nogueira.

O presidente da Fiemg regional Sul de Minas, Ary Novaes, completa que quando a indústria vai mal, toda a economia sente os reflexos. “Começa a ter desemprego e incerteza, o pessoal para de comprar, prejudica o comércio e também os serviços. Serviço é reflexo direto da situação da economia”, afirma ele.

Além da queda de faturamento, todas as seis regiões mineiras pesquisadas apontaram redução no uso da capacidade instalada comparando o primeiro semestre de 2014 com o mesmo período do ano anterior. Em relação ao emprego, houve alta apenas na região Sul. Nesse indicador, a região do Triângulo teve o pior desempenho, seguida pela Leste.

Poucos setores escaparam do fraco desempenho no período

Poucos setores industriais conseguiram passar bem pelos seis primeiros meses em Minas Gerais. No Norte, o segmento de laticínios foi o destaque e garantiu alta de 7,59% no setor alimentícios. No Triângulo, o setor de produtos químicos, puxado por adubos e fertilizantes, garantiu alta de 44,97% nas horas trabalhadas no período.

Já no Centro-Oeste, as horas trabalhadas na produção caíram 8,19%. A metalurgia básica sofreu os efeitos da queda do setor automotivo e teve queda de 1,04% no faturamento. O mesmo aconteceu na região Sul, que sentiu o reflexo da demanda menor por autopeças, tanto no mercado externo, quanto no interno. “A indústria mineira sofre as consequências do fraco desempenho econômico no país”, diz a Fiemg, na análise do semestre.

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