Obras do Minha Casa, Minha Vida são abandonadas no interior de Minas

Menos de seis meses após o começo da construção das moradias, a empresa que havia ganhado a licitação desistiu da execução dos trabalhos.

O canteiro de obras está abandonado, com mato crescendo entre as estruturas já erguidas.

Fonte: O Tempo 

Minha Casa, Minha Vida: obra é abandonada no interior de Minas

Minha Casa, Minha Vida: Paralisação. Famílias carentes de Manhuaçu aguardam trabalho no canteiro de obras do programa. Foto: Wellington Sarmento

Minha Casa, Minha Vida está parado e prejudica famílias Caixa pede mais recursos para as obras

Caixa e prefeitura não se entendem sobre a construção

As mais de 1.500 famílias cadastradas no programa Minha Casa, Minha Vida de Manhuaçu aguardam desde 2009 pelo sorteio que pode garantir a elas a compra da casa própria. Apesar da expectativa gerada na cidade, que, como muitas outras do interior de Minas, enfrenta problemas de déficit habitacional, só três anos após a divulgação do programa as obras foram de fato iniciadas.

Menos de seis meses após o começo da construção das moradias, a empresa que havia ganhado a licitação para a empreitada desistiu da execução dos trabalhos. Desde então, o canteiro de obras está abandonado, com mato crescendo entre as estruturas já erguidas. O projeto inicial teve liberação de R$ 18 milhões para executar a construção de 288 moradias para famílias que recebem entre zero e três salários mínimos.

Prefeitura, empreiteira e Caixa Econômica Federal, que aprovou e financiou o projeto, se esquivam de ser apontadas responsáveis pela paralisação das obras.

Nilton Marques, um dos proprietários da Alpha Imóveis e Construções, empresa que iniciou a construção das moradias, alega ser o lado mais frágil da questão e diz não gostar de tratar sobre o assunto. O empresário afirma que divergências entre o contrato e a execução do projeto tornaram a obra inviável. Ao cancelar o contrato com 17% das obras concluídas, a empresa recebeu R$ 3 milhões pelo que havia sido construído.

A Prefeitura de Manhuaçu apresentou uma versão diferente, afirmando que um funcionário da Caixa Econômica teria anunciado ao prefeito Nailton Heringer (PDT) que a construtora Alpha havia sido descredenciada pelo banco, por não ter competência para executar a obra. A afirmação foi rejeitada pela Caixa, ressaltando que o contrato foi rescindido de comum acordo entre as partes.

A dona de casa Maria Aparecida Estofel dos Santos espera ansiosa pelo desenrolar desta novela. Aos 44 anos, sonha em se livrar do aluguel, que consome boa parte do que a família recebe. Ela tem uma filha com deficiência e atualmente mora em uma residência com escadas, o que dificulta a sua locomoção. A falta de informações causa indignação. “Tá difícil demais, minha condição é muito pouca e nunca temos resposta de nada”, relata. Ela conta que, como sua família, outros moradores precisam de novas moradias.

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