Energia: modelo adotado por Dilma provoca desemprego em Minas

Das 12 empresas do setor em Minas, 10 estão paradas, total ou parcialmente. Modelo adotado por Dilma e falta de chuva provocaram desequilíbrio.

Conforme dados da CNI, custo com a eletricidade cresceu 90% entre 2004 e 2014

Fonte: O Tempo

Energia: modelo adotado por Dilma gera desemprego em Minas

No topo. Segmento siderúrgico, como de ferro-liga e ferro-gusa, é um dos que mais demanda energia. Foto: Leo Fontes / O Tempo

MINAS

Alto custo da energia fecha indústrias e gera desemprego

Setor de ferro-liga para dez das 12 empresas no Estado; companhias já investem em outros países

O alto custo da energia, que já chega próximo de R$ 400 o megawatt/hora, está desestimulado investimentos e provocando desemprego nos segmentos que mais demandam energia, os eletrointensivos. É o caso do setor de ferro-liga, já que os custos com o insumo podem chegar a 50%. “A energia é a base para qualquer tipo de indústria, sem energia barata, não dá para ser competitivo”, diz o presidente da empresa Granha Ligas, Fernando Granha.

Ele ressalta que o momento é de preocupação, já que não existe no país garantia de fornecimento de energia e o preço praticado vem inviabilizando os negócios do setor. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Ferro-Ligas e Silício Metálico (Abrafe), das 12 empresas do setor em Minas Gerais, dez estão paradas, total ou parcialmente.

Conforme dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o custo com a eletricidade cresceu 90% entre 2004 e 2014, enquanto que nos Estados Unidos a alta foi de 30% e, no México, 55% no mesmo período.

A unidade da Granha de Conselheiro Lafaiete está parada desde o primeiro dia deste mês e a planta de São João del Rei, desde meados de 2014, opera com 30% da capacidade. “E não é um problema só nosso. Há outras empresas na mesma situação”, frisa o executivo.

Granha conta que o contrato de dez anos com a Companhia Energética do Estado de Minas Gerais (Cemig) venceu dia 31 de dezembro e não foi renovado. “O preço que era pago era de R$ 70 o megawatt/hora. No mercado, o valor está na casa dos R$ 380, o que é incompatível para o setor”, reclama.

Diante do aumento do custo da energia nos últimos anos, a empresa decidiu investir fora do país. Há dois anos está sendo construída a unidade em Nova Colômbia, na região metropolitana de Assunção, no Paraguai. A inauguração está prevista para 2016. “Lá, a energia proveniente de Itaipu, custa US$ 37. Com a energia a US$ 50, já é possível ser competitivo”, diz o executivo.

Com custos nas alturas, ele conta que a saída foi reduzir o quadro de pessoal. O número de funcionários caiu de 410 para 130.

SÃO JOÃO DEL REI

Fornos de companhia já estão desligados

Os fornos da Bozel, sediada em São João del Rei, estão desligados desde o início deste mês. É o que revela o diretor administrativo-financeiro da empresa, Fernando Neri de Araújo. “Ao desligar um forno, a empresa tem prejuízo, pois perde esse forno que não pode mais ser utilizado”, lamenta.

De acordo com ele, um forno novo no mercado, voltado para uma empresa de médio porte, custa cerca de US$ 21 milhões. E a reforma fica na metade desse valor. Até agora, 9% do quadro de funcionários foi demitido, num total de 25 pessoas. “Não descartamos demitir mais se não conseguirmos um preço melhor da energia”, diz.

O prefeito de São João del Rei, Helvécio Luiz Reis, conta que das quatro indústrias da cadeia siderúrgica da cidade, duas já foram fechadas. “A atividade é importante. Representa 40% da economia da cidade”, ressalta. (JG)

REALIDADE

Especialista prevê menor investimento

Os investimentos da indústria no país e no Estado devem ser menores neste ano, segundo o economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Paulo Casaca. Além do cenário econômico complicado, pesa na decisão a disponibilidade e o custo da energia. “É uma variável que interfere na competitividade. As indústrias precisam deenergia, algumas mais do que outras, dependendo da área de atuação. Sem garantia de fornecimento do insumo, não há como investir”, observa.

Ele ressalta que as indústrias de uso mais intensivo de energia são as do segmento siderúrgico, como de ferro-liga, de ferro-gusa, além da indústria cimenteira.

E o cenário é mesmo de recuo dos investimentos, já que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 69,3% das empresas do setor pretendem investir em 2015 percentual menor do que em 2014: 78,1%.

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