Pimenta da Veiga sobe o tom contra Pimentel 

Pimenta da Veiga subiu o tom das críticas ontem ao seu principal adversário, Fernando Pimentel, que evitou o embate direto com o tucano.

Debate na TV Globo

Fonte: Estado de Minas

Pimenta: "A indústria voltou aos níveis da década de 1950 e o comércio exterior está com o pior rombo em 30 anos". Foto: Leo Lara/ Coligação Todos Por Minas

Pimenta: “A indústria voltou aos níveis da década de 1950 e o comércio exterior está com o pior rombo em 30 anos”. Foto: Leo Lara/ Coligação Todos Por Minas

Debate com troca de acusações

Flávia Ayer

O candidato ao governo de Minas Pimenta da Veiga (PSDB) subiu o tom das críticas ontem ao seu principal adversário, Fernando Pimentel (PT), que evitou o embate direto com o tucano. O debate realizado pela  TV Globo Minas teve momentos tensos, com ataques pessoais, e quem começou a artilharia pesada foi Pimenta, que chamou o adversário de mentiroso e tolo. Pimentel reagiu e lamentou os ataques do tucano, a quem classificou de falso e arrogante. Antes disso, Pimenta já tinha abandonado temas tradicionais, como educação, saúde e corrupção, e atacado o petista, lembrando sua “carreira fracassada” como político – ao perder vaga para o Senado para Aécio Neves e Itamar Franco – e como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior por três anos no governo Dilma, quando, segundo ele, foi registrada a maior queda na produção industrial.

O confronto entre os candidatos tucano e petista ficou mais duro no segundo bloco, num debate sobre a dívida pública. “Você mente. Você mente”. Você é tolo”, disse Pimenta da Veiga. Pimentel também elevou o tom e lamentou o rumo do debate. Ele afirmou que a “falsa exaltação foi recomendada pelo marqueteiro” e classificou a postura de Pimenta de “espetáculo lamentável”. “Estamos aqui discutindo um novo olhar para Minas Gerais”. E ainda completou: “Ele poderia ter poupado a gente disso. Fez isso a campanha toda e vai terminar de forma lamentável”.

As críticas do tucano tiveram início quando ele lembrou aos eleitores que, ao disputar o Senado em 2010, Pimentel foi derrotado com a metade dos votos de Aécio Neves. O petista se defendeu lembrando que é tratado com carinho até hoje pelos moradores de BH, onde se reelegeu prefeito. Garantiu ainda, como auxiliar de Dilma, ter ajudado a defender a indústria e os empregos na equipe de ministros. “Ele foi ministro do desenvolvimento e o desenvolvimento do Brasil está em recessão. A indústria voltou aos níveis da década de 1950 e o comércio exterior está com o pior rombo em 30 anos”, rebateu Pimenta da Veiga.

ENERGIA Na troca de farpas, Pimentel afirmou que Minas vive um problema grave em relação à energia elétrica, que disse ser a mais cara do país, com ICMS de 30% sobre o consumo. “Estamos assistindo fábricas e empresas deixarem Minas. Isso tem que ser revisto. Sem causar prejuízo à Cemig, vamos reduzir o imposto, porque em estados como o Rio de Janeiro o ICMS é de 18%”. Pimenta redirecionou a crítica à administração petista, alegando que foi o governo federal que desorganizou a lógica do mercado de energia elétrica, o que teria causado prejuízo de R$ 70 bilhões para os estados. E acrescentou: “Em Minas, o consumidor de baixa renda se beneficia do programa Tarifa Reduzida, que impede a cobrança de imposto ao menor consumo.” Teve como resposta o desdém de Pimentel: “É muito reduzido o número de beneficiários, porque basta ter uma geladeira, um chuveiro elétrico e uma lâmpada acesa, para não merecer o benefício”.

Sobraram críticas até mesmo para os eleitores. Num bate-bola entre Fidélis Alcântara (PSOL) e Tarcísio Delgado (PSB) sobre corrupção, o socialista disse que só existem políticos ruins porque há eleitores ruins. Delgado questionou Fidélis sobre o assunto e citou escândalos envolvendo PT e PSDB. Segundo o candidato do PSOL, as manifestações de julho demonstraram que os eleitores estão cansados dessa situação. “Enquanto não desatrelar política do mercado, não vai mudar”, afirmou, ao defender o financiamento público de campanha. Aproveitando a deixa, Tarcísio cobrou então maior exigência dos eleitores. “Não seria a hora de o eleitor ser mais exigente e investigar a vida do candidato? Enquanto não tivermos eleitores melhores, não teremos políticos melhores”, comentou. (Com MCP)

0 comments… add one

Leave a Comment