Siderurgia discute o uso de carvão vegetal sustentável

O Evento realizado no BDMG, em Belo Horizonte, contou com cerca de 150 especialistas do setor siderúrgico de Minas Gerais

Fonte: Agência Minas

A mesa de abertura do evento contou com a participação de representantes de instituições estaduais, federais e internacionais. Foto: Tiago Zenero

A mesa de abertura do evento contou com a participação de representantes de instituições estaduais, federais e internacionais. Foto: Tiago Zenero

O Brasil é o único país do mundo produtor de carvão vegetal para o setor siderúrgico. Para discutir como utilizá-lo de maneira sustentável e sem agredir o clima, representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), do Governo do Estado de Minas Gerais, do PNUD e outros parceiros se reuniram, na quinta-feira (23/06), na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), para a realização do 1º Seminário de Ações do Projeto Siderurgia Sustentável.
O presidente do BDMG, Marco Crocco, ressaltou a satisfação em receber o evento que vai ao encontro das estratégias da instituição. “Temos duas grandes metas. Queremos ser reconhecidos como o Banco da Inovação e o Banco Verde de Minas Gerais. Nesta nova era da economia do conhecimento é preciso incorporar a inovação em todos os processos e enfrentar os desafios tecnológicos e sustentáveis para consolidar os próximos passos. Por isso, é um orgulho receber um evento desta importância para debater os caminhos da siderurgia sustentável”, declarou.Durante o seminário, foram debatidos o andamento e as oportunidades de ações para cortar as emissões de gases de efeito estufa geradas neste segmento industrial. A intenção é auxiliar o País no cumprimento das metas assumidas no contexto do Acordo de Paris, um pacto global para frear a mudança do clima. A promoção da sustentabilidade na atividade siderúrgica contribuirá para o estabelecimento de uma economia de baixo carbono no Brasil.

O evento também destacou que o uso de carvão vegetal renovável é um caminho alternativo para mitigar emissões por melhorar a eficiência dos recursos durante o processo de carbonização e por substituir o uso de coque para a produção de ferro-gusa. Os recursos de biomassa renovável para sua produção são obtidos a partir de florestas plantadas de forma sustentável. O produto proveniente do carvão vegetal sustentável pode ser considerado um ferro-gusa verde, que pode ser utilizado como uma estratégia de transformação de mercado.

“O projeto também é importante para o combate ao desmatamento da vegetação nativa, especialmente a mata atlântica”, ressaltou o secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais, Germano Vieira. Dessa forma, todo o carvão vegetal produzido pelas siderurgias deverá ser proveniente de eucalipto de reflorestamento.

Sobre o projeto

Alinhado às prioridades nacionais e estaduais, o projeto Siderurgia Sustentável tem o objetivo de desenvolver uma cadeia de produção siderúrgica sustentável e de baixa emissão de gases de efeito estufa. Entre os resultados esperados estão a criação de um cenário favorável ao carvão limpo e eficiente usado pelo setor, o fortalecimento da base tecnológica e o investimento a um mecanismo de monitoramento de desempenho.

A elaboração do projeto envolveu MMA, MCTIC, MDIC e PNUD em colaboração com o Governo de Minas Gerais. Aprovado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) em janeiro de 2014, foi assinado pelo PNUD, MMA e Agência de Cooperação Brasileira (ABC) em junho de 2015 e iniciado formalmente no primeiro trimestre de 2016. Sua atuação inicial é junto ao setor de ferro-gusa, aço e ferro-ligas de Minas Gerais, para fazer um levantamento das tecnologias sustentáveis para produção do carvão vegetal no Brasil. “Queremos englobar também as pequenas e médias siderurgias, para que todos estejam alinhados com um modelo sustentável”, explica a oficial de programa da unidade de desenvolvimento sustentável do PNUD, Marina Ribeiro.

O projeto começou em Minas Gerais e a expectativa é replicar um modelo sustentável que possibilite oportunidades em Estados como Maranhão e Pará, onde a siderurgia se tornou uma atividade econômica importante nas últimas décadas.

0 comments… add one

Leave a Comment