Dilma teve rejeição nos grandes centros urbanos

Dilma terá de reverter a rejeição nos grandes centros urbanos, onde eleitores são mais críticos e exigem políticas específicas.

Eleições 2014

Fonte: O Globo

Dilma reverter a rejeição das grandes cidades como São Paulo, Dilma vai ter de apresentar propostas de políticas públicas como trânsito caótico, fala de moradia e coleta de esgoto deficiente. Foto: Divulgação.

Dilma reverter a rejeição das grandes cidades como São Paulo, Dilma vai ter de apresentar propostas de políticas públicas como trânsito caótico, fala de moradia e coleta de esgoto deficiente. Foto: Divulgação.

Grandes centros são obstáculo para Dilma

Para analistas, eleitor de Regiões Metropolitanas são mais críticos e exigem políticas específicas

Enquanto teve grandes votações em cidades médias e pequenas, a presidente Dilma Rousseff (PT) viu o tucano Aécio Neves conseguir votações expressivas em quatro das dez maiores capitais do país. O candidato do PSDB venceu em São Paulo (63,8% dos votos), Distrito Federal (61,9%), Curitiba (72,1%) e Porto Alegre (53,9%). No Rio de Janeiro, o resultado foi apertado: Dilma venceu por 50,8% a 49,2%. Já em comunidades pequenas, beneficiadas por programas sociais do governo federal, o resultado foi distinto: a maior votação percentual de Dilma foi em Belágua, no Maranhão. Lá, 65% da população de 6.524 habitantes recebe o benefício do Bolsa Família. A presidente levou 94% dos votos.

Para reverter a rejeição nos grandes centros urbanos, o próximo governo do PT deve pensar em políticas públicas exclusivas para as Regiões Metropolitanas, diferentes daquelas aplicadas em municípios menores, segundo cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO.

O resultado favorável a Aécio em grandes centros urbanos pode ser explicado, em parte, porque os eleitores das grandes cidades tendem a ser mais críticos a quem está no poder, já que são mais atingidos por problemas que demoram anos para serem resolvidos — como trânsito caótico, falta de transporte público, falta de moradia e coleta de esgoto deficiente, segundo professor de ciências políticas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Valeriano Costa:

— A população dos grandes centros é mais crítica porque os problemas são maiores do que a capacidade de resolver. Em municípios menores, o governo federal tem condições de promover mais mudanças. A entrega de tratores ou caminhões para cidades pequenas pode ter um impacto muito grande nessas comunidades.

Costa avalia que o governo federal poderia se envolver mais no planejamento das questões, mesmo daquelas que são atribuição dos governos estaduais, de acordo com a Constituição, como a Segurança pública:

— A União prefere apoiar as iniciativas, em geral com dinheiro, do que encabeçá-las. Ao final do processo, se der certo, pode fazer propaganda. Se der errado, não tem tanto a perder. Isso aconteceu agora na crise da água em São Paulo. Durante a campanha, Dilma disse que ofereceu dinheiro a São Paulo, mas não tomou a frente do problema.

A solução de problemas de mobilidade urbana, habitação e saneamento básico nos grandes centros urbanos não depende apenas de financiamento do governo federal, na opinião do cientista político Fernando Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Abrucio acredita que o Ministério das Cidades, no segundo mandato de Dilma, deve assumir a função de articular soluções com estados e municípios, mesmo que eles sejam comandados por partidos que não fazem parte da base aliada.

— O Ministério das Cidades tem que ganhar uma importância maior neste segundo mandato, ir além do Minha Casa Minha Vida e fazer uma pactuação com estados e municípios para melhorar a vida nas Regiões Metropolitanas. Há recursos para fazer obras, mas, muitas vezes, as cidades não têm acesso ao financiamento porque os projetos são ruins. Os técnicos do ministério poderiam ajudar a resolver os problemas dos projetos e até a planejá-los com cidades vizinhas.

O Minha Casa Minha Vida é um exemplo de programa que pode ser adaptado para se obter mais resultados, segundo o cientista político. Nas regiões metropolitanas, por exemplo, em vez de construir casas, o programa poderia permitir a reforma de prédios abandonados em regiões centrais.

Segundo o urbanista Orlando dos Santos Júnior, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do Observatório das Metrópole, um problema que o governo federal deve enfrentar com seriedade é o do planejamento integrado de ações nos centros urbanos. Ele cita as Olimpíadas de 2016, que, na sua opinião, não levaram em conta o desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio:

— Os investimentos não envolveram as outras cidades e se concentraram no Rio. Não levaram em conta que a dinâmica do Rio está ligada às cidades vizinhas.

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