IPI reduzido deixa montadoras em choque

IPI menor para o setor automotivo é considerado pelos empresários como fundamental para amenizar o quadro de queda nas vendas de veículos.

Setor automobilístico em crise

Fonte: O Globo 

IPI reduzido deixa montadoras em choque

Setor automobilístico teve queda de 4,8% neste ano. Foto: Divulgação.

Montadoras querem que governo mantenha IPI menor em 2015

Executivos da GM e da Ford defenderam renovação do benefício no próximo ano

O presidente da General Motors (GM) para a América Latina, Jaime Ardila, defendeu, nesta terça-feira, a retomada das negociações com o governo para a continuidade da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 2015. O benefício do IPI menor para o setor automotivo, que teve sua elevação prorrogada de julho para o final de dezembro, é considerado pelos empresários como fundamental para amenizar o quadro de queda nas vendas de veículos no país.

— O IPI como está hoje faz parte da indústria. O consumidor já se acostumou com ele e, se mudar, não pode aumentar — afirmou Ardila, que espera que a Anfavea, associação que reúne as montadoras, lidere a reivindicação junto ao governo.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, já havia afirmado que a reeleição da presidente Dilma Rousseff poderia facilitar as negociações para renovar o benefício, já que foi no governo dela que as reduções do IPI foram mantidas para compensar a redução nas vendas de veículos.

Segundo o executivo da GM, a setor automotivo no Brasil é uma importante empregadora e responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria nacional. Mesmo com a continuidade do benefício, Ardila espera um início de 2015 com estoques ainda altos nos pátios das montadoras, que hoje estão com cerca de 40 dias de vendas.

Questionado sobre a manutenção do benefício do IPI em 2015, o vice-presidente de assuntos institucionais da Ford, Rogelio Golfarb, disse que se trata de uma decisão necessária para um planejamento adequado das montadoras no próximo ano. Disse ainda que o fim das eleições também deve ajudar o mercado a reduzir as incertezas entre os consumidores.

— Voltamos à vida normal, e os consumidores deverão prestar mais atenção aos lançamentos que serão apresentados — disse Golfarb durante entrevista no Salão do Automóvel de São Paulo, aberto nesta terça-feira só para a imprensa.

‘MERCADO ATINGE FUNDO DO POÇO NESTE ANO’

Ardila estimou que a GM deve encerrar 2014 com vendas de 600 mil carros no Brasil, após 630 mil em 2013, uma queda de 4,8%. Para 2015, ele projetou que a companhia possa obter vendas de cerca de 630 mil unidades. Em termos de produção, a estimativa dele é de que GM produza 700 mil veículos no Brasil neste ano, “o que é um nível que tínhamos alcançado 6 anos atrás”.

Sobre o mercado brasileiro como um todo, Ardila comentou que espera que o setor tenha vendas de 3,4 milhões a 3,5 milhões de veiculo leves em 2014.

— O mercado atinge o fundo do poço neste ano — disse ele.

A GM anunciou em meados de agosto plano de investimento de R$ 6,5 bilhões no país, que serão aplicados em renovação de produtos, desenvolvimento de novos modelos e nacionalização de peças. O novo veículo compacto que a GM esta desenvolvendo para o país não está incluído nessa conta, disse Ardila.

O executivo disse que, se as exportações de veículos do Brasil não crescerem, “vai ser difícil para o mercado absorver. Vamos (indústria) ter capacidade sobrando acima de 1 milhão de unidades em 2016”.

No salão, a GM apresentou novas versões de seus modelos, além de uma linha de bicicletas da marca Chevrolet.

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