Em rota de colisão: Sind-UTE critica Pimentel e ameaça paralização

Clima entre o sindicato e o governo azedou e a reunião agendada ontem para discutir a implantação do piso salarial da categoria foi desmarcada.

Durante campanha Pimentel foi enfático: “qualquer outra promessa na área da educação, sem corrigir o salário dos professores, está vendendo ilusão”. Compromisso foi assumido durante campanha em 2014.

Em rota de colisão: Sind-UTE denuncia que Pimentel e ameaça paralização

Governo Pimentel ainda nem bem começou e já está em rota de colisão com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). Divulgação

Fonte: Estado de Minas 

Aliado de Fernando Pimentel na eleição critica o governo do petista

O governo ainda nem bem começou e já está em rota de colisão com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), uma das principais entidades sindicais que apoiaram a eleição de Fernando Pimentel (PT). O motivo são as nomeações políticas para os cargos de comando nas superintendências regionais de ensino (SREs), uma antiga reivindicação da categoria.

Durante a campanha, Pimentel se comprometeu a nomear para o comando das SREs os eleitos em cada região pelos professores e a comunidade escolar. Logo após o pleito, vencido por Pimentel no primeiro turno, começaram a ser feitas as eleições para as superintendências em 70 cidades do estado. No entanto, no final do ano passado, começaram os boatos de que os escolhidos seriam preteridos por indicados pelos deputados.

Nessa quinta-feira (5), o Diário Oficial de Minas Gerais publicou a nomeação de 37 diretores de educação, que vão responder interinamente pelas superintendências até a nomeação dos titulares. O cargo de diretor foi criado pelo atual governo para efetivar a nomeação de superintendentes que não atendem os requisitos, previstos em lei delegada, para ocupar os cargos de superintendente. Ao todo, são 47 superintendências. Até o momento, nenhum superintendente foi nomeado.

A presidente do Sind-Ute, Beatriz Cerqueira, em uma postagem nas redes sociais, disse que o governador não honrou o compromisso de campanha e está “loteando” o governo para “construir sua governabilidade. “ O castelo de poder construído assim, uma hora desmorona. É só ver a conjuntura nacional. O governo e o PT perderam a oportunidade de fazer diferente, de construir com a participação da categoria, que não está apadrinhada por um mandato ou por partido político”, afirmou Beatriz.

O clima entre o sindicato e o governo azedou e a reunião agendada para essa quinta-feira para discutir a implantação do piso salarial da categoria foi desmarcada. Os professores fazem uma assembleia geral no dia 31 de março e parte da categoria já defende paralisação.

Entre os nomeados para as diretorias das SREs estão indicados pelos secretários de Governo, Odair Cunha, de Desenvolvimento e Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais, Paulo Guedes, do vice-governador Antônio Andrade e também pelos deputados federais Wellinton Prado (PT), Reginaldo Lopes (PT) e Mauro Lopes (PMDB) e pelos estaduais Geisa Teixeira (PT), Elismar Prado (PT) e Deiró Marra (PR).

Em Varginha, por exemplo, o eleito foi Abdon Guimarães, que integra a direção da Central Única dos Trabalhadores em Educação (CUT-MG), mas a nomeada para a superintendência foi Arlete Ribeiro Ramos Gomes, indicada por Geisa Teixeira. O temor do Sind-Ute é que esses superintendentes interinos permaneçam como titulares das SREs.

Procurado pela reportagem, Odair Cunha, um dos responsáveis no governo por avalizar todas as nomeações, não quis dar entrevista. Disse apenas, por meio de uma nota, que respeita a posição do SIND-UTE e “reitera a importância de dialogar com todas as forças que dão sustentação ao governo de Minas”. A secretária de Educação, Macaé Evaristo, e a presidente do Sind-Ute também não quiseram comentar o assunto. Por meio também de uma nota, Macaé disse que “as indicações para diretorias de superintendências regionais de ensino são feitas a partir de um processo de diálogo que envolve representantes da área educacional e lideranças políticas das regiões”.

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