Hidrovia do São Francisco pode ter transporte de carga

Velho Chico deve ser interceptado ao longo do caminho por rodovias e ferrovias conectadas com os portos marítimos da região Nordeste.

Transporte acquaviário

Fonte: O Tempo

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A ideia é transformar a hidrovia do São Francisco num eixo onde se fará o transporte de cargas partindo de Minas Gerais e demais Estados por onde o Velho Chico passa. Foto: Divulgação

Parte mineira do Velho Chico pode ter transporte de carga

Consórcio que foi vencedor de concorrência aberta pelo Dnit já realiza estudo de viabilidade

JANINE HORTA

ESPECIAL PARA O TEMPO

Um estudo de viabilidade técnica e econômica para embasar planos de retomada da navegação no rio São Francisco a partir de Pirapora até a foz está sendo realizado. A ordem de serviço para realização do estudo foi dada em abril, e o consórcio vencedor da concorrência, formado por três empresas – Dzeta/Hidrotopo/Ebei – tem até abril do ano que vem para entregar as conclusões ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A ideia é transformar a hidrovia do São Francisco num eixo onde se fará o transporte de cargas partindo de Minas Gerais e demais Estados por onde o Velho Chico passa. A hidrovia deve ser interceptada ao longo do caminho por rodovias e ferrovias conectadas com os portos marítimos da região Nordeste, num sistema de transporte multimodal e integrado.

De acordo com a engenheira civil do consórcio Nathércia Guimarães, o estudo deve apontar locais onde serão necessárias obras de aprofundamento do leito do rio para que ele atinja a profundidade mínima para navegação de grandes comboios de transporte. “Estamos analisando a capacidade da hidrovia: profundidade, que tipo de carga pode ser transportada, entre outros aspectos”, aponta Nathércia. O resultado e a avaliação da relação custo-benefício do projeto serão apresentados ao Dnit, à Administração da Hidrovia do São Francisco (AHSFRA) e à Companhia de Docas do Maranhão (Codomar), que são responsáveis pelo projeto.

Sonho antigo. Algumas empresas demonstraram, há mais de dez anos, interesse em transportar suas cargas pelo São Francisco, informa o superintendente da AHSFRA, Luiz Felipe de Carvalho Gomes Ferreira. Soja em grão e farelo e milho de produtores do interior da Bahia; ureia produzida em Camaçari; carvão, combustível e automóveis foram algumas consultas. “A mais recente que recebemos foi a respeito do escoamento da produção de gipsita, explorada na bacia do Araripe, região de divisa entre Piauí, Ceará e Pernambuco”, conta Ferreira.

O superintendente diz que o São Francisco hoje é navegável, embora subexplorado. Para ele falta, além das obras de adequação, interesse empresarial. O único trecho comercial em atividade está na Bahia, um trajeto entre Ibotirama/Muquém do São Francisco até Juazeiro – trecho de 576 km. Segundo levantamento de 2013 da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), transporta-se neste trecho um só produto: 49 mil toneladas de caroço de algodão.

Usos múltiplos devem conviver

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), órgão responsável pela gestão das águas, tem acompanhado as discussões a respeito da retomada da navegação no rio São Francisco.

O vice-presidente do CBHSF, Wagner Soares Costa, diz que, ao se implantar a hidrovia, é preciso prever que impacto isso pode ter sobre os demais usos que se fazem da água ao longo do rio. “Para o uso múltiplo das águas é preciso equilíbrio entre as atividades que já funcionam e as que vão chegar”, argumenta Costa, exemplificando com os grande projetos de irrigação e com a dinâmica do abre e fecha de comportas para o controle de vazão das barragens hidrelétricas.

Rio precisa passar por revitalização 

Fonte: O Tempo

Em Sobradinho, na barragem na altura de Petrolina e Juazeiro, o volume de evaporação da água corresponde ao volume do rio das Velhas

O professor de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, idealizador do Projeto Manuelzão e coordenador da Caravana Nacional em Defesa do São Francisco e Semiárido, Apolo Heringer, entende que fazer projeto de navegação sem revitalizar o rio é pura ilusão. Ele lançará em breve um livro diagnóstico sobre a condição do rio. Para fazê-lo, ele reuniu uma equipe técnica e viajou de carro cruzando de um lado a outro da nascente até a foz do rio São Francisco.

Nos 20 dias de viagem e 4.500 km percorridos, o que mais chamou atenção foi quando um pequeno barco a motor em que navegou com três pessoas na altura de Propriá, em Sergipe, agarrou na areia.

“O São Francisco está morrendo. Está virando um rio intermitente. Em partes dele se atravessa a pé na época da seca”, alerta. Outro fato o impressionou. Em Sobradinho, na barragem na altura de Petrolina e Juazeiro, o volume de evaporação da água corresponde ao volume do rio das Velhas que entra no São Francisco por segundo, em Barra do Guaicuí.

INFOGRÁFICO – VELHO CHICO

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Editoria de Arte / O Tempo

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