Pimentel faz Copasa e Gasmig emitirem debêntures para honrar compromissos

Copasa finalizou recentemente uma emissão de debêntures de R$ 350 milhões e a Gasmig solicitou a aprovação interna para emissão de R$ 100 milhões do mesmo tipo de papel.

Copasa apresenta quadro mais delicado. Especialistas apontam risco de atraso no pagamento aos fornecedores caso se estenda o cenário adverso de queda de receitas e aumento das dívidas.

Fonte: Hoje em Dia

Sem dinheiro, Pimentel faz Copasa e Gasmig emitirem debêntures para captar recursos

Governo Pimentel: estatais mineiras recorreram a financiamentos no mercado financeiro para honrarem suas dívidas. Foto: Wesley Rodrigues/Hoje em Dia

Copasa e Gasmig lançam debêntures para honrar compromissos

Governador elege mobilidade urbana na Grande BH e obras no setor de energia como prioridades

Com o caixa apertado, as estatais mineiras recorreram a financiamentos no mercado financeiro para honrarem suas dívidas. A Copasa finalizou recentemente uma emissão de debêntures de R$ 350 milhões e a Gasmig publicou nessa quinta-feira (3) no Diário Oficial do Estado a aprovação interna para emissão de R$ 100 milhões do mesmo tipo de papel. No caso da estatal de saneamento, os recursos serão parcialmente destinados ao financiamento de um Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Debênture é um título de dívida que paga juros que remuneram seu titular.

Sem dinheiro, Pimentel faz Copasa e Gasmig emitirem debêntures para captar recursos

A Copasa apresenta quadro mais delicado. Especialistas apontam risco de atraso no pagamento aos fornecedores caso se estenda o cenário adverso de queda de receitas e aumento das dívidas, em parte gerado pelo prolongado período de seca. “O problema da Copasa é aumentar o endividamento com todos esses outros indicadores ruins e esse cenário adverso. Os fornecedores certamente já estão com a pulga atrás da orelha”, afirma o professor de finanças do Ibmec, Ricardo Couto.

A agência de classificação de risco Moody´s deu perspectiva negativa para as debêntures da Copasa por não enxergar melhora no cenário da companhia no longo prazo e apontar a possibilidade de ingerência política na empresa, controlada pelo Estado de Minas Gerais. A Copasa informou à Moody´s que R$ 140 milhões dos R$ 350 milhões captados por meio das debêntures serão direcionados para pagamento de promissórias em circulação, emitidas em 2014, e que outra parte financiará o PDV e um programa de reestruturação operacional.

A estatal não esclareceu qual será o alcance do PDV e quais benefícios serão oferecidos aos trabalhadores. Em nota, disse que “o recurso será utilizado para o custeio das dívidas que vencem este ano e para melhorias no processo produtivo da prestação de serviços de saneamento”. E esclarece que a captação das debêntures foi concluída a um custo de 118,9% do CDI, e prazo de seis anos”.

“É preciso ver também o lado da empresa. Claro que o cenário é ruim para endividamento, mas a empresa de certa forma está se protegendo. Como não terá aumento de receitas com faturamento de água, e não terá clima para aumentar tarifas, a Copasa se antecipa e garante que terá recursos para manter seu fluxo de caixa”, diz o presidente do Instituto Mineiro do Mercado de Capitais (IMMC), Paulo Ângelo Carvalho de Souza.

Copasa muda estatuto, aumenta dívida e desagrada especialistas

Para aumentar seu endividamento a Copasa, inclusive, alterou seu estatuto social, que antes permitia que a dívida líquida atingisse, no máximo, três vezes sua geração de caixa, medida pelo Ebitda. Com a alteração, abriu-se possibilidade para que a dívida chegue a quatro vezes. Essa alteração não agradou aos especialistas, e deixou o mercado alerta. “Quando a empresa eleva o endividamento, inclusive rompendo com o que estava preestabelecido, o mercado liga o radar. Como não deve ter incremento de receita, uma vez que praticamente não há água para a Copasa faturar, a perspectiva é negativa para o mercado”, afirmou Paulo Ângelo, do IMMC.

“É preocupante”, disse o professor de Finanças do Ibmec Ricardo Couto, sobre o aumento da capacidade de endividamento da estatal. Para ele, o esforço da empresa deveria ser na eficiência operacional, em parte contemplada pela emissão de debêntures. “O PDV pode ser um caminho, assim como rever o investimento futuro”.

Financiamento

De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Finanças (IIF), a dívida das empresas não financeiras dos países emergentes passou de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 para 80% atualmente, por conta do acesso fácil ao mercado externo, com juros próximos de zero nos países desenvolvidos e com investidores à procura de papéis com retorno mais alto.

“Rolar esses montantes será muito mais desafiador em um ambiente com mercados mais voláteis e menos líquidos”, afirmam os economistas do IIF em um relatório. As companhias têm US$ 1,3 trilhão em dívidas vencendo até 2020 e parte importante vai precisar de refinanciamento. Só em 2016, são quase US$ 300 bilhões em bônus vencendo. Brasil, China, Rússia, México, Índia e Coreia do Sul são os emergentes onde as companhias mais se endividaram em moeda estrangeira, sobretudo dólar, desde a crise de 2008.

Contratação de pessoal e reajuste salarial de servidor desafiam

Com o limite prudencial da folha de pagamento cada vez mais próximo e a perspectiva de fechar o ano com déficit orçamentário de R$ 10 bilhões, o governo estadual ainda precisa buscar formas de atender a demanda por novas contratações e reajustes salariais de servidores.

Além dos professores da rede estadual de ensino e da Polícia Militar, candidatos aprovados no concurso da Polícia Civil pressionam pela efetivação de pelo menos mil dos mais de 2.500 investigadores. Segundo o movimento S.O.S Polícia Civil, o Estado tem um déficit de pelo menos 5 mil agentes.

“O grande problema dos gastos, além da dívida, é que temos uma folha de pagamento que dobrou em cinco anos no governo anterior e é difícil de ser manuseada. Ela tem uma tecnologia atrasada, com pouca gestão, mas está sendo aperfeiçoada”, relatou o secretário de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, no Fórum Regional de Governo Território Metropolitano.

Prioridades

Além dos programas voltados para a mobilidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), como a expansão do metrô com as criações das linhas 2 (Barreiro/Calafate) e 3 (Savassi/Lagoinha), obras no setor de energia também serão priorizadas.

O governador Fernando Pimentel (PT) assinou documento que prioriza a realização de obras para melhoria do serviço de energia, em especial pequenas hidrelétricas, com previsão de investimentos de R$ 800 milhões.

O documento prevê, ainda, a implementação de subestações de energia elétrica e instalações de novos equipamentos, serviços que ficarão a cargo da Cemig. A meta é melhorar a qualidade do fornecimento de energia em Contagem, Belo Horizonte, Nova Lima, Sabará, Santa Luzia, Ribeirão das Neves, João Monlevade, Barão de Cocais e Betim.

• 95% de queda no lucro contabilizou a Copasa no segundo trimestre de 2015 em relação ao mesmo intervalo de 2014
• 3,7 milhões de reais foi o lucro da copasa no segundo trimestre deste ano. A geração de caixa (Ebitda) caiu 26,5% em um ano
• A Gasmig não se manifestou, alegando período de silêncio em virtude da oferta de debêntures

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