Revista britânica antecipa PIB menor e desemprego

A economia nacional não deve alcançar crescimento superior a 2,6% ao ano durante o novo governo de Dilma.

Brasil sem rumo

Fonte:  O Globo

Revista britânica antecipa PIB menor e desemprego

Serviço de pesquisa da ‘Economist’ prevê mais desemprego e baixo crescimento no Brasil

Para o Economist Intelligence Unit, contudo, país pode manter o grau de investimento, se conseguir passar “impressão positiva”

A economia brasileira não deve alcançar crescimento superior a 2,6% ao ano durante o novo governo da presidente Dilma Rousseff. A inflação deve seguir acima do centro da meta do Banco Central até 2018, superando o teto (de 6,5%) em 2015, quando chegará a 6,7% ao ano. O déficit em conta corrente não será revertido e deve ficar em 3,6% anuais até o fim do segundo mandato. Esse é o cenário macroeconômico traçado na manhã dessa quarta-feira por Irene Mia, diretora para América Latina do The Economist Intelligence Unit (EIU), serviço de pesquisa e previsão da revista inglesa “The Economist”. Com o que chamou de “deterioração das bases econômicas”, Irene também estima que haverá já no ano que vem aumento do desemprego.

Há duas semanas, a revista declarou apoio ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, com um artigo e uma matéria publicados online. Com o título “Por que o Brasil precisa mudar”, o material também estampa a capa da versão impressa de sua edição latino-americana, com data de 18 de outubro, com um desenho que faz alusão a Carmem Miranda triste, com a bandeira do Brasil como turbante e um chapéu de frutas murchas e estragadas. No principal texto, a revista britânica dizia que Aécio mereceria ganhar as eleições “porque promete colocar o Brasil de volta no caminho do crescimento econômico”.

Apesar dos dados pouco animadores e do discurso pessimista da especialista para o futuro nacional, Irene disse acreditar que o Brasil poderá manter o grau de investimento, se o governo conseguir passar “uma impressão positiva” para investidores e mercado internacional. Nas previsões ano a ano para o PIB nacional, ela prevê crescimento de 0,4% neste ano; 1,4% em 2015; 2,4% em 2016; e 2,16% em 2017 e 2018. Já para as cotações cambiais, o prognóstico de Irene é que a moeda americana encerre 2014 cotada a R$ 2,30. Para o próximo ano, a estimativa é de subir para R$ 2,40; R$ 2,50 é a projeção para 2016; nos anos de 2017 e 2018 a moeda deve valer R$ 2,60, disse.

‘NÃO HÁ SINAIS DE MUDANÇA’, DIZ ECONOMISTA

Para Irene, a proposta de “governo novo, ideias novas”, pregado durante a campanha de reeleição da candidata petista à Presidência, “dificilmente se concretizará”. Na opinião da executiva, o país seguirá com as contas públicas desorganizadas, intervencionismo do governo da economia e protecionismo comercial.

— Não há sinais de mudança. Dilma ainda não anunciou, por exemplo, seu novo time econômico. Dilma continua tendo um controle considerável da economia. Acreditamos que o setor privado deve ter mais do mesmo — afirmou.

Ela salientou, por sua vez, que a economia nacional tem a sustentação do alto nível das reservas internacionais, por exemplo. Segundo Irene, esse é um número positivo, que pode ajudar a segurar o grau de investimento. Também foi citada a ascensão de quase 49 milhões de brasileiros à classe média desde 2003.

Por outro lado, alguns fatores do cenário externo podem ser uma “ameaça a estas conquistas no médio e longo prazo”, disse. Entre esses fatores estaria a desaceleração da economia chinesa — que deve sair de um crescimento de 7,3% neste ano para 5,6% em 2019, segundo sua projeção. Outro tópico é a recuperação da economia dos Estados Unidos somada ao afrouxamento da ajuda monetária do banco central americano (o Fed), que tende a diminuir a liquidez internacional.

— Justamente por causa da menor liquidez internacional, os investidores ficarão muito seletivos. Este será um grande desafio para o Brasil — disse.

Num ranking feito pela EIU avaliando a qualidade do ambiente de negócios de 82 países, o Brasil aparece na 43ª colocação. Olhando separadamente os quesitos avaliados, os impostos são os que mais prejudicam o ambiente e colocam o Brasil na posição 77. Infraestrutura aparece na 53ª colocação. A possibilidade de conseguir financiamento é um dos pontos altos e eleva o Brasil para a 17 posição no ranking.

ESCRITÓRIO NO BRASIL

Mesmo com os prognósticos negativos para o crescimento brasileiro, São Paulo foi o lugar escolhido para abertura de um escritório do The Economist Group, holding da revista e do The Economist Intelligence Unit. A inauguração deve ocorrer nos próximos meses. A decisão teve como base dois pontos, segundo explicou David Humphreys, diretor nas Américas da EIU. O primeiro é o número de leitores da revista The Economist no Brasil, que cresce a uma taxa de 2,5% ao ano, mais rápido que em qualquer outro mercado da América Latina, segundo Humphreys. O outro ponto, disse, é a ampliação de trabalhos da EIU em organizações locais.

— Estamos muito animados com a expansão das operações, tanto para a The Economist quanto para o The Economist Intelligent Unit aqui no Brasil — afirmou.

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